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19.06.2017

Coronel Fernando Belo: “Não podemos mais assistir calados e omissos o crescimento do crime”

Diante do recrudescimento do crime no Rio de Janeiro e na esperança de que medidas sejam tomadas para garantir um padrão mínimo de segurança, o Presidente da AME/RJ, Coronel Fernando Belo encaminhou nova carta ao Governador Luiz Fernando Pezão.

Eis a carta:

“Rio de Janeiro, 18 de junho de 2017

Caro Governador, boa tarde.

Inicio, apresentando minhas desculpas pela insistência no assunto, mas não, sem antes, agradecer mais uma vez, pela tolerância de Vossa Excelência, seja a de me atender, seja a de, gentilmente, responder.

Insisto, Senhor Governador, na tese da insegurança pública que prepondera em nosso Estado. Hoje, como nos mostra a realidade do dia a dia, quem tem o poder nas ruas são os bandidos, os marginais, os matadores de inocentes, são os que nos roubam vidas e patrimônio. A estes, o Estado parece ter entregue o destino de todos nós cidadãos. Não há um bairro, uma região, uma rua sequer, onde se possa ter segurança. Os marginais tomaram conta da cidade e do estado. E o estado, parece assistir a tudo sem a necessária e indispensável intervenção e decretação do “basta” a todo o desmando verificado e recrudescente, dia após dia.

Torço Senhor Governador, para que a próxima vítima não seja eu ou alguém da minha família, ou o senhor ou alguém da sua família, torço, enfim, para que não mais haja vítimas...

Entretanto, não basta, infelizmente, apenas torcer. Ações preponderantemente devem antecipar-se à torcida. Disse Jesus: “Faz que te ajudarei”.

Não basta, Governador, torcer, se a parte que cabe ao Estado, encontra-se esfacelada, dilacerada, abandonada, entregue, literalmente, nas mãos dos marginais que, sem piedade, tiram vidas de inocentes de forma rotineira e livre, na medida em que não há policiamento nas ruas, não há prevenção, não há ação permanente e contínua, mas tão só e precariamente, reação que, por ser pífia, não conduz o marginal à certeza da punição. Sua certeza, ao revés, é a da impunidade, a da liberdade de ação marginal...

A responsabilidade pela inércia da Pasta encarregada pela segurança começa pelo Senhor, Caro Governador, ainda que ela se estenda a outros atores.

Não diria, jamais, que haja conivência com o crime. Jamais! Sobretudo, por conhecer a índole das pessoas que labutam na área responsável por nos garantir segurança.

Mas existe uma profunda e responsável falta de ação por parte do governo.

As UPPs, Senhor Governador, já está declarado de forma indelével, não atendem mais, se é que um dia atenderam a demanda da criminalidade que só cresce e recrudesce sem que o Estado nos dê, a todos nós cidadãos, eleitores ou não, um mínimo de proteção, de esperança, sequer...

Agora mesmo acabamos de ouvir a declaração da falência dessa ferramenta de segurança – UPP – de uma autoridade que sabe o que diz: Secretário Nacional do Ministério da Justiça que, antes de assumir essa Pasta, foi Coronel da Polícia Militar do nosso Estado, Promotor de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Secretário de Estado de Administração Prisional, entre outros cargos, portanto, uma autoridade que tem cabedal para garantir sua declaração.

Quase dez mil homens/mulheres algemados, engessados, presos à política das UPPs, totalmente falida, enquanto os batalhões, sem exceção, carentes, desfalcados de efetivo humano.

Conclamo caro Governador, para o seu espírito humanitário, que muito bem o caracteriza no sentido de que determine, de vez, o retorno de, pelo menos, seis mil profissionais das UPPs para os batalhões de todas as regiões. Isso, para não acabar de vez com essas Unidades.

Não há Governador, porque atrelar essa medida de proteção aos cidadãos cariocas/fluminenses, com a regularização do pagamento salarial. São coisas distintas e urgentes.

Não podemos mais assistir calados e omissos, o crescimento do crime. Assaltos, mortes, torturas, uso de armas de guerra nas vias urbanas e a correspondente falta de policiais nas ruas.

Com o meu respeito, a permanente disposição a qualquer hora e tempo,

Atenciosamente

Cel PM Fernando Belo

Presidente da AME/RJ.

Quero acrescentar e registrar O MEU RESPEITO, ADMIRAÇÃO, GRATIDÃO E MINHAS PRECES AO CRIADOR EM PROTEÇÃO AOS POLICIAIS MILITARES DO RIO DE JANEIRO, VERDADEIROS HEROIS, DESTEMIDOS E ABNEGADOS GUERREIROS DA PAZ QUE, MESMO DIANTE DE TODAS AS ADVERSIDADES, CONTINUAM LUTANDO BRAVAMENTE, AINDA QUE, MUITAS VEZES, COM PERDAS DE VIDAS, PARA NOS DEFENDER E NOS LIVRAR DOS MARGINAIS QUE ASSOLAM O NOSSO HOJE COMBALIDO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. DO COMANDANTE GERAL ATÉ O ÚLTIMO SOLDADO, O NOSSO RECONHECIMENTO, O NOSSO APRESSO, A NOSSA MAIS INDELÉVEL GRATIDÃO. QUE DEUS OS PROTEJA E A NÓS TAMBÉM”.